O chamado Caso Tech Office voltou ao centro do debate político do Maranhão depois que Gilbeson Cutrim, assassino confesso, condenado a 13 anos de prisão por homicídio, passou a ter palco para fazer acusações contra o governador Carlos Brandão.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Gilbeson entregou à Polícia Federal o que classificou como provas de um suposto esquema de propina envolvendo o chefe do Executivo estadual. O material incluiria anotações manuscritas, uma etiqueta de dinheiro e a fotografia de um carro.
A história ganhou repercussão nacional após receber espaço na GloboNews e no G1.
É realmente razoável dar palco e peso a uma narrativa apresentada por um assassino para atingir a imagem de um governador com mais de 35 anos de vida pública?
Num momento grave como esse é necessário fazer o básico: separar denúncia de prova.
Um rabisco num pedaço de papel não é, por si só, prova pericial. Uma etiqueta de dinheiro e uma fotografia também não explicam origem, contexto ou ligação com qualquer crime. Acusações graves exigem evidências graves, não apenas versões lançadas no ambiente político.

Há ainda uma pergunta incômoda sobre o timing. Se essas supostas provas existiam desde a época do crime, por que só aparecem agora, em pleno ano eleitoral? O assassino confesso já mudou de versão inúmeras vezes, por isso que o que ele acusa e delata exige cautela redobrada antes de transformar o acusador em personagem central de uma narrativa política.
Afastamento Daniel Brandão
O afastamento de Daniel Brandão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), por decisão do ministro Flávio Dino, também colocou o caso no centro da disputa entre adversários. Não é segredo que Dino e Brandão estão em campos políticos opostos. Por isso mesmo, qualquer acusação precisa ser examinada com método e não consumida como espetáculo.
Num Estado Democrático de Direito, a sede por impacto não pode atropelar a responsabilidade jornalística. Antes de perguntar quem será beneficiado politicamente pela denúncia, é preciso perguntar: onde estão as provas?

Uma resposta
Excelente matéria.