Opinião

O Brasil que cansou do PT chegou ao segundo turno

Há resultados eleitorais que simplesmente registram uma votação. E há resultados que dizem alguma coisa sobre o estado de espírito de um país

O primeiro turno deixou um recado que o PT não pode fingir que não ouviu. Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro somou 56.104.268 votos (47,03% dos válidos), contra 53.876.617 (45,16%) de Lula. Foram 2.227.651 votos de diferença. Flávio terminou na frente; a eleição, porém, continua aberta e será decidida no segundo turno.

Para o PT, o resultado é um alerta. Lula chegou à segunda rodada atrás do adversário, e a campanha não pode responder a isso apenas dividindo o país entre “nós” e “eles”. Há muita gente dizendo, nas urnas, que quer mudança.

Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado em 15 estados e no Distrito Federal. Venceu em todos os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste e ainda levou Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins. Lula venceu nos nove estados do Nordeste, além de Amazonas, Amapá e Pará. 

A pergunta que eu faço é: é um Brasil dividido ou um Brasil lutando por transformação?

E talvez a pergunta mais incômoda desta eleição seja justamente esta: por que uma parte tão expressiva do país decidiu dizer não ao projeto petista? Porque a maior parte do país decidiu que quer que o governo mude de lado?

A questão que as pessoas não entendem e querem se digladiar por isso é que não se trata apenas de direita contra esquerda; não se trata apenas de uma disputa de sobrenomes. Existe um desgaste. Existe uma parcela do eleitorado que olha para a história do PT, para os escândalos de corrupção que marcaram governos petistas, para as ideologias, para os discursos, para as investigações da Lava Jato, para as condenações posteriormente anuladas por questões processuais e de competência, para a polarização política e para o ambiente institucional dos últimos anos e conclui: não quero mais isso.

E quer saber, eu faço parte dessa parcela. Sou contra todas essas mazelas que o atual governo carrega e faz o país refém disso. Eu defendo que o país tenha coragem de virar essa página.

Não se trata de apagar a história do partido. Trata-se de questionar o que ele representa depois de tantos anos no poder, dos grandes escândalos de corrupção que marcaram sua trajetória e de uma política que, na minha avaliação, mantém o brasileiro dependente de um Estado que deveria estar criando oportunidades para que as pessoas pudessem caminhar com as próprias pernas.

Nordeste

E o Nordeste continua sendo o grande reduto eleitoral de Lula. No Maranhão, o resultado chama ainda mais atenção: um dos estados mais pobres do país continua entregando uma votação expressiva ao PT.

A pergunta, portanto, não deveria ser se o maranhense é pobre ou pouco escolarizado. A pergunta é outra: depois de tantos anos de governos e políticas públicas, por que a pobreza estrutural continua tão presente?

O que ainda prende o eleitor ao PT? Memória dos governos Lula? Programas sociais? Identificação ideológica? Rejeição ao bolsonarismo?

E há ainda outra questão: até onde pode ir o poder das instituições?

Criticar decisões do STF não é defender ruptura democrática; é defender o direito de questionar uma instituição que, nos últimos anos, passou a ocupar um espaço cada vez maior no debate político, na liberdade de expressão e na própria vida pública brasileira.
Nenhum partido, nenhum presidente e nenhuma instituição deve estar acima da crítica.

No fim das contas, o que está em jogo neste segundo turno é muito maior do que a disputa entre dois nomes. É a escolha sobre qual projeto de país queremos para os próximos anos. De um lado, a continuidade de um modelo político que carrega uma longa sombra de escândalos, dependência do Estado e concentração de poder; do outro, a possibilidade de abrir um novo capítulo.

As urnas já mostraram que existe um Brasil disposto a mudar. E, se esse novo capítulo não der certo, daqui a quatro anos mudamos novamente, porque assim como a vida, a política, também, é dinâmica e é feita de tentativas e construções. Quem veio antes de nós tentou, nós também tentamos e estamos construindo. Temos o direito de escolher, avaliar e mudar de direção, afinal, o poder não pertence a partido nenhum; O poder está nas nossas mãos. Está em nós. Está conosco!

O absurdo virou rotina: Paulo Curió volta à Prefeitura de Turilândia por decisão de Moraes

Tem coisa que acontece no Brasil que a gente lê, relê e ainda custa acreditar.

Nesta quinta-feira, 1º de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o retorno imediato de Paulo Curió ao comando da Prefeitura de Turilândia.

Curió estava afastado do cargo desde dezembro de 2025, no contexto das investigações da Operação Tântalo. O Ministério Público do Maranhão ofereceu denúncia contra ele e outros investigados, apurando suspeitas que envolvem, entre outros crimes, organização criminosa, fraude em licitações, corrupção, peculato e lavagem de capitais. A denúncia foi apresentada em janeiro deste ano.

Agora, por decisão de Moraes, ele volta. E é justamente aí que começa a discussão que não pode ser calada.

A decisão do ministro sustenta que o afastamento já ultrapassava nove meses e que as razões que justificaram originalmente a medida cautelar precisavam ser reavaliadas diante da evolução da investigação. Moraes considerou excessivo manter a suspensão do exercício do mandato por tanto tempo e determinou o retorno do prefeito.

É uma decisão judicial. E decisão judicial se cumpre. Mas cumprir uma decisão não significa que a sociedade esteja proibida de questionar os efeitos dela; porque estamos falando de uma prefeitura. Estamos falando de uma cidade inteira.

Estamos falando de dinheiro público, contratos públicos, servidores públicos e de uma população que tem o direito de perguntar que mensagem está sendo transmitida quando alguém alvo de uma investigação dessa dimensão retorna ao comando do município antes mesmo de a denúncia ter sido analisada pelo tribunal de origem.

As cautelares não desapareceram

Paulo Curió continuará usando tornozeleira eletrônica, está proibido de manter contato com corréus, investigados e testemunhas e também não poderá contratar ou realizar determinadas transações administrativas com empresas citadas na investigação. Juridicamente a investigação continua, mas, administrativamente, o prefeito volta a sentar na cadeira de prefeito. E é claro, é isso que ele vinha sonhando há 9 meses; até porque é a única coisa que sempre interessou foi “a chave”.

Houve prisão preventiva. Houve afastamento. Houve uma investigação de grande proporção. Houve denúncia do Ministério Público. E houve uma série de medidas cautelares que continuam vigentes, mas, agora, mesmo assim, diante de tudo isso, ele recebe o presente de voltar ao ocupar o cargo de chefe do município.

No fim das contas, o que fica é a imagem de um país em que as instituições parecem cada vez mais bizarras, decisões cada vez mais difíceis de explicar e uma inversão de valores que assusta. O errado virou certo, o absurdo virou rotina e o cidadão parece ter sido condenado a assistir a tudo calado.

A subserviência do Brasil às Bets: Quando o país virou refém das Casas de Apostas

Por: Mônica Alves

O Brasil acorda, vive e dorme sob o bombardeio incessante das casas de apostas. Basta ligar a televisão ou acessar rede social antes para perceber que a União não apenas permitiu o avanço das casas de apostas, mas, entregou o país a elas.

O que no início nos venderam como um entretenimento inofensivo e uma promissora fonte de arrecadação fiscal, se revelou, na prática, uma engrenagem voraz. Uma engrenagem que capturou o nosso mercado, capturou o nosso esporte e, o mais grave, vem corroendo a vida de milhões de famílias brasileiras.

E, pasmem: para entender a dimensão dessa subserviência e dependência, não precisamos ir longe; basta a gente olhar para o futebol nacional, a maior paixão cultural do país que, há poucos dias, emitiu uma nota oficial pela diretoria do Flamengo diante das movimentações do Governo Federal para conter ou proibir a atuação das bets no Brasil. Ao protestar contra a medida alegando “insegurança jurídica” e risco de colapso financeiro nas estruturas do clube, a direção rubro-negra fez mais do que defender seus contratos comerciais: ela assinou um atestado explícito de sujeição. Quando a maior e mais rica instituição esportiva do país admite que o futebol não se sustenta sem a irrigação contínua do dinheiro de apostas, fica claro que o esporte perdeu a sua autonomia. O futebol virou mero pano de fundo para a roleta digital.

O domínio sobre o futebol brasileiro é o exemplo mais nítido dessa capitulação. Hoje, é praticamente impossível assistir a uma partida sem ser assediado por dezenas de marcas de apostas estampadas nas camisas dos clubes, nos painéis do estádio e nas transmissões esportivas.

Essa “venda” que fizeram do país, contudo, não se limita somente aos gramados. As casas de apostas drenaram recursos do mercado financeiro e da economia real, afetando o orçamento das famílias brasileiras e desviando o consumo de bens essenciais para o abismo da ilusão do ganho fácil.

A contradição se torna ainda mais evidente na esfera política. O mesmo Governo Federal que abriu as portas e regulamentou a proliferação dessas plataformas agora ensaia atos de força e discursos inflamados contra o setor. Em plena corrida de conveniências políticas e em tom de urgência eleitoral, tenta-se dar uma “canetada salvadora” para conter o monstro que o próprio Estado ajudou a alimentar. É a política do apagar de incêndio: cria-se o problema, permite-se que ele crie raízes profundas no consumo das famílias e na economia real, e depois busca-se o aplauso fácil ao tentar proibir aquilo que antes se chancelou.

Mas para além do viés econômico, do futebol e das manobras de Brasília, existe o fator humano e é nele que essa conta se torna verdadeiramente sombria.

Por trás das telas coloridas e dos influenciadores sorridentes que prometem dinheiro fácil, há um rastro invisível de destruição. O vício em apostas virtuais não é apenas uma perda financeira pontual no orçamento mensal; trata-se de um mal silencioso e homicida, no sentido mais trágico da palavra. Quantos trabalhadores perderam o salário do mês, a dignidade e a paz familiar? Quantas pessoas, tomadas pelo desespero do endividamento irrecuperável viraram dados frios nas estatísticas de depressão e suicídio no nosso país?

Não podemos aceitar que vidas continuem sendo tratadas como margem de erro ou custo colateral de uma atividade que o próprio Governo permitiu escalar sem freios. O Brasil não pode continuar refém nem de bancas de apostas digitais, nem do oportunismo político de quem finge surpresa com o estrago que ajudou a causar.

O debate entre banir definitivamente (criminalizar) ou regulamentar de forma rígida as casas de apostas toca na ferida central da relação entre economia, vício e saúde pública. E isso, querendo ou não, precisa ser feito; mesmo que eu, pessoalmente, acredite que regulamentar tal mal seja apenas uma ilusão. Até porque os modelos das bets não é idealizado para mero entretenimento. Já é da “raiz” das plataformas serem viciantes e enganadoras.

Caso Tech Office: entre rabiscos, disputa política e a obrigação de provar

O chamado Caso Tech Office voltou ao centro do debate político do Maranhão depois que Gilbeson Cutrim, assassino confesso, condenado a 13 anos de prisão por homicídio, passou a ter palco para fazer acusações contra o governador Carlos Brandão.

Segundo as informações divulgadas sobre o caso, Gilbeson entregou à Polícia Federal o que classificou como provas de um suposto esquema de propina envolvendo o chefe do Executivo estadual. O material incluiria anotações manuscritas, uma etiqueta de dinheiro e a fotografia de um carro.

A história ganhou repercussão nacional após receber espaço na GloboNews e no G1.

É realmente razoável dar palco e peso a uma narrativa apresentada por um assassino para atingir a imagem de um governador com mais de 35 anos de vida pública?

Num momento grave como esse é necessário fazer o básico: separar denúncia de prova.
Um rabisco num pedaço de papel não é, por si só, prova pericial. Uma etiqueta de dinheiro e uma fotografia também não explicam origem, contexto ou ligação com qualquer crime. Acusações graves exigem evidências graves, não apenas versões lançadas no ambiente político.

Esse rabisco que é a prova? 😳

Há ainda uma pergunta incômoda sobre o timing. Se essas supostas provas existiam desde a época do crime, por que só aparecem agora, em pleno ano eleitoral? O assassino confesso já mudou de versão inúmeras vezes, por isso que o que ele acusa e delata exige cautela redobrada antes de transformar o acusador em personagem central de uma narrativa política.

Afastamento Daniel Brandão 

O afastamento de Daniel Brandão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), por decisão do ministro Flávio Dino, também colocou o caso no centro da disputa entre adversários. Não é segredo que Dino e Brandão estão em campos políticos opostos. Por isso mesmo, qualquer acusação precisa ser examinada com método e não consumida como espetáculo.

Num Estado Democrático de Direito, a sede por impacto não pode atropelar a responsabilidade jornalística. Antes de perguntar quem será beneficiado politicamente pela denúncia, é preciso perguntar: onde estão as provas?

Piscinão de Weverton: o “grupo seleto” caiu na água e a foto caiu nas mãos da PF

Se Brasília já tem seus corredores do poder, agora pode começar a considerar também suas piscinas. E essa da foto não é qualquer piscina. É a do “Grupo Seleto”!

Quando uma foto cai em “mãos erradas” …

A Polícia Federal encontrou uma foto do senador maranhense Weverton Rocha (PDT) em uma piscina, ao lado de um grupo de políticos e do advogado Willer Tomaz, investigado no escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

A imagem, revelada pela revista Piauí e confirmada por fontes da Polícia Federal, estava no celular de Weverton e teria sido registrada em abril de 2023, no Rancho Tomaz, propriedade de Willer em Planaltina (DF).

Na fotografia aparecem, além de Weverton e Willer, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, os deputados Juscelino Filho, Elmar Nascimento, Paulo Azi e Alexandre Ramagem; o senador Ângelo Coronel e o deputado estadual Marcinho Oliveira.

O mais curioso é que a foto estava armazenada em uma pasta chamada “Grupo Seleto”.

Mas, agora, era seleto, isso porque, depois de descoberto pela PF e divulgado por toda imprensa, o assunto está público para todos os públicos.

Quem é Willer Tomaz?

Willer Tomaz, amigo muito próximo do senador Weverton Rocha, é investigado na operação que apura um esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios do INSS. A PF também investiga possíveis relações financeiras entre o advogado e pessoas ligadas ao senador Weverton Rocha, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro.

A PF investiga Willer por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema do INSS. Segundo o jornal Folha de São Paulo, uma empresa de Willer comprou, por cerca de R$ 6 milhões, uma mansão apontada como residência de Weverton, e os investigadores consideram que o advogado funcionaria como uma espécie de “hub financeiro” ligado ao senador.

A investigação também aponta transferências de empresas ligadas a Willer para pessoas do círculo familiar de Weverton. O jornal Piauí, por exemplo, relata transferência de cerca de R$ 11 milhões para Samya Rocha, mulher do senador. Há, ainda, a relação pessoal: os dois aparecem juntos em encontros privados, inclusive no famoso “Grupo  Seleto” da piscina.

Willer também teria emprestado uma aeronave a Weverton; o advogado afirma que foi um empréstimo de caráter particular e nega vínculo com o esquema do INSS. Diante de tudo isso, Weverton diz que as movimentações financeiras mencionadas na investigação decorrem de atividades profissionais e empresariais.

Portanto, resumindo, Willer Tomaz é apontado pela investigação como alguém muito próximo de Weverton, com relações que vão além da amizade e alcançam negócios, patrimônio e movimentações financeiras. É justamente essa relação que a PF está tentando esclarecer no contexto da investigação do INSS.

A imagem, obviamente, não significa que os políticos que aparecem nela tenham participação no esquema, porém, registra proximidade entre os personagens e que, claro, a Polícia vai apurar, de fato, as relações entre estes tais integrantes.

Eleições Senado 2026: A dança das cadeiras antes mesmo das cadeiras

A vaga para o Senado Federal que, tradicionalmente, ocupava um espaço secundário nas campanhas estaduais, nestas eleições 2026, virou protagonista. Há pelo menos dez nomes colocados na disputa pelas duas cadeiras, envolvendo lideranças de praticamente todos os grupos políticos do Maranhão.

Quem achava que o auge das eleições 2026 seria apenas a disputa pelo Governo do Maranhão claramente ainda não olhou para a corrida ao Senado. Com duas vagas em jogo, o Estado assiste a uma verdadeira explosão de pré-candidaturas, articulações, alianças improváveis e movimentos de bastidores que transformaram a disputa numa novela com capítulos diários. O maranhense tem se chocado a cada novo amanhecer com as chapas mais improváveis possíveis.

Quem foi anunciado de manhã, a tarde já não está mais e a noite outro nome é lançado. Assim tem sido a montagem das candidaturas. O Senado que, tradicionalmente, ocupava um espaço secundário nas campanhas estaduais, virou protagonista. Há pelo menos dez nomes colocados na disputa pelas duas cadeiras, envolvendo lideranças de praticamente todos os grupos políticos do Maranhão.

Mas talvez o aspecto mais curioso dessa eleição não esteja nem nos candidatos titulares; está nos suplentes. É justamente aí que a política maranhense revela um velho hábito e o discurso da “nova política”cai por terra.

Enquanto os discursos inflamados pregam a renovação, combate às oligarquias e defesa da boa política, as chapas frequentemente recorrem aos círculos mais próximos de confiança — familiares, aliados históricos e figuras do próprio grupo político.

É em uma dessa que a gente vê o bizarro deputado federal Márcio Jerry, crítico ferrenho da grupo político do atual governador com falácias de combate à oligarquia familiar, enquanto lança a sua esposa, Joslene Rodrigues, conhecida como “Lene”, a suplente da senadora Eliziane Gama.
Da mesma forma vemos o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral, eleito com apoio decisivo do governador Carlos Brandão – caso contrário, nunca, em hipótese alguma, seria eleito prefeito da 2ª maior cidade maranhense -, romper com o grupo, se aliar ao candidato de oposição e, “curiosamente”, sua esposa ser lançada como suplente do pré candidato ao Senado, André Fufuca (que também rompeu com o governo Brandão e se aliou à Eduardo Braide).

O resultado é um paradoxo inevitável. Muitos dos que criticam o suposto “projeto familiar” acabam recorrendo exatamente ao mesmo modelo quando chega a hora de montar suas próprias chapas. Muda o discurso. Mudam os personagens. Mas o roteiro, muitas vezes, permanece surpreendentemente parecido.

Enquanto isso, o eleitor tenta acompanhar um tabuleiro que muda praticamente todos os dias. Nomes entram, saem, migram de grupos, reaparecem em novas alianças e redesenham o cenário conforme as conveniências políticas de cada momento. No fim, fica a impressão de que os projetos pessoais têm pesado mais que qualquer compromisso coletivo e a fidelidade parece durar apenas até a próxima articulação de bastidor.

Paulo Victor: de protagonista a figura esquecida nos bastidores do poder

Vereador Paulo Victor

Na política, o esquecimento costuma ser mais cruel do que a derrota. Derrotas podem ser revertidas. O ostracismo nem sempre.

Como 4 anos mudam uma biografia política!
O ano era 2022 e poucos nomes circulavam com tanta desenvoltura nos bastidores da política maranhense como o de Paulo Victor. Presidente da Câmara de São Luís, era presença constante, articulador, peça importante na engrenagem que ajudou a conduzir a campanha do governador Carlos Brandão ao Palácio dos Leões. Estava em todos os ambientes onde o poder era exercido, ou, pelo menos, onde ele era disputado. O nome de PV era frequente nas conversas políticas e sua influência parecia crescer, porém, o que ninguém sabia era que cairia na mesma velocidade.

Mas, o que aconteceu com Paulo Victor agora em 2026, em mais uma disputa estadual majoritária? Um nome que antes circulava com naturalidade nos ambientes de decisão deu espaço a um silêncio e esquecimento que faz mais zuada do que a sua presença.

Na política, quatro anos podem ser tempo suficiente para mudar completamente o roteiro de uma carreira.

Na sucessão estadual, com Orleans Brandão ocupando o centro das atenções do grupo governista, Paulo Victor virou uma vaga lembrança. Seu nome já não frequenta as rodas políticas, sua participação deixou de ser tema recorrente e o protagonismo que um dia parecia natural deu lugar ao famoso ditado  “elefante na sala” – quando todos sabem que ele está ali, mas preferem fingir que não existe.

Nos bastidores, pouca gente parece surpresa com a mudança de cenário. Ainda assim, quase ninguém fala sobre ela publicamente. Como se a perda de protagonismo tivesse sido absorvida com tanta naturalidade que já nem despertasse questionamentos.

Se me permite dizer, Paulo Victor ao longo dos últimos anos foi, infelizmente, o seu maior algoz. Comportamentos impensados, precipitados, imaturos, foram culminando no que sobrou dele hoje: um político que continua com um cargo de enorme relevância institucional, porém, não passa disso, porque política, influência e cargo nem sempre caminham juntos.

HEXA 2026: Mais uma lembrança do que a gente não viveu

A camisa amarela ainda emociona. O futebol nem sempre

…e já estamos com saudade de mais um sonho adiado. Saudade daquilo que, depois de mais 24 anos de espera, também não vivemos.

Ganhar é bom. Ótimo. Maravilhoso. E quem diz o contrário ou está tentando vender uma humildade que não existe ou já perdeu o vigor pela vida faz tempo. O famoso “já morreu”.

Perder dói. E pode ser qualquer tipo de perda. Inclusive no futebol, quando a gente tenta camuflar as expectativas, controlar a ansiedade e fingir que uma Copa do Mundo é só mais um campeonato. Não é. Nunca foi.

São quatro anos esperando por um mês que passa voando.

De quatro em quatro anos eu faço a mesma promessa: não vou me apegar. Não vou criar expectativa. Não vou deixar um jogo estragar meu humor. Mas basta a bola rolar para eu perceber que menti para mim mesma.

A Seleção Brasileira faz parte da minha infância. Eu sempre fui apaixonada. Cresci assistindo aos jogos, reunida com a família, gritando, vibrando, vendo todo mundo de verde e amarelo, acreditando que o Brasil podia ganhar de qualquer adversário.
Só que, para mim, aquela Seleção deixou de existir faz tempo. Infelizmente!

Hoje eu vejo um futebol diferente. Não estou dizendo que faltam jogadores talentosos. O Brasil continua revelando craques. O problema é que, muitas vezes, parece que o peso das cifras milionárias fala mais alto do que o peso da camisa. A gente não percebe mais uma entrega, um verdadeiro “mata a mata” a qualquer custo. Aquela sensação de que defender a Seleção era o auge da carreira foi se perdendo pelo caminho. É triste acompanhar isso ao longo dos anos e viver olhando pelo retrovisor.

Ontem, 5 de julho de 2026, contra a Noruega, o sonho acabou mais cedo outra vez. E não foi apenas uma derrota. Foi mais uma Copa que termina deixando aquela pergunta que sempre volta: quando é que vamos sentir de novo o gosto de ser campeões do mundo?

O hexa virou uma espera que atravessa gerações.

Tem criança que hoje chora pela eliminação do Brasil do mesmo jeito que eu chorei anos atrás. A diferença é que elas também vão crescer ouvindo histórias sobre um título que nunca viram acontecer. E, apesar de toda frustração, eu sei exatamente o que vai acontecer …

Daqui a quatro anos vou repetir o mesmo discurso. Vou dizer que não vou me apegar. Que não vou criar expectativas. E, infelizmente, vou mentir de novo. Não dá para apagar uma torcida, uma vibração positiva do nosso povo.

Porque ser brasileiro também é isso. É reclamar, criticar, desconfiar, mas, quando a Copa chega é encontrar um cantinho dentro da gente onde a esperança insiste em sobreviver.

Eu tô triste de verdade. Até 2030!

Por Stênio Rezende: “Brandão fica”?!

O assunto toma cada vez mais amplitude com a proximidade do ano eleitoral. Os eleitores brasileiros voltarão às urnas em 2026. No próximo pleito, serão escolhidos presidente da República, governadores dos Estados e do Distrito Federal, senadores, deputados federais e deputados estaduais e distritais.

O foco da temática, no plano estadual maranhense recai sobre a disputa ao Senado ou permanência do Governador Carlos Brandão no governo do Estado, cumprindo integralmente seu mandato.

O cenário político, na sucessão estadual, tem se evidenciado mais nítido a partir das ações do governador, liderança que se reveste cada vez mais de influência na política do Estado. Basta se verificar os ganhos nas eleições municipais do ano passado.

O estilo Brandão de seriedade, dedicação e compromisso, selou alianças numa pluralidade de matizes partidárias, inclusive opostas, como destacado pelos órgãos de imprensa: no primeiro turno, os candidatos apoiados por Brandão foram eleitos em 157 municípios. Esse número representa 72% das 217 prefeituras do estado. Além disso, 16 das 20 maiores cidades escolheram prefeitos alinhados à sua base, prova de que o governador vem conduzindo seu mandato de forma municipalista e integrada.

Em semelhante perspectiva e atentos à melhora progressiva da condição de vida dos maranhenses e desenvolvimento do Estado, espera-se que o Maranhão, em 2026, desempenhe um papel ainda mais relevante no Senado Federal, representado por lideranças que priorizem o bem-estar da população, promovam o desenvolvimento sustentável e garantam que o estado esteja cada vez mais integrado ao progresso do país.

Daí então, se levarmos em consideração que há agentes políticos naturalmente mais flexíveis, pacientes e dedicados, adaptáveis a situações complexas e aos desafios da vida pública, recrutados a cumprir missão tanto no executivo quanto no legislativo, nos virá a pergunta coletiva e uníssona: -Brandão fica?

Por Stenio Rezende, ex-deputado estadual, médico e agropecuarista.

  • Mônica

    Mônica Alves

    O blog Mônica Alves é um veículo de comunicação virtual, que vai informar, sugerir e analisar assuntos políticos, bastidores e comportamentos variados do estado do Maranhão e do Brasil.

    Ao criar essa página, quero contribuir e levantar questionamentos subjetivos dos mais simples aos que ganham grandes espaços de notoriedade, além de dar espaço à boas histórias, com personagens e lugares que serão (re) descobertos por meio de relatos em viagens, festividades culturais e visitas etnográficas, mas que nem sempre têm a oportunidade do destaque merecido.