
Em um dos maiores escândalos de corrupção dos últimos anos no Maranhão, a Operação Tântalo II resultou na prisão de figuras importantes da administração pública de Turilândia, incluindo o prefeito, a 1ª dama, a vice-prefeita, vereadores e outros aliados políticos suspeitos de integrar um esquema que desviou mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos do município.
Prisões e cumprimento de mandados
A ação foi deflagrada pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), e contou com o apoio do Tribunal de Justiça do Maranhão. No dia 22 de dezembro de 2025, foram cumpridos 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva em Turilândia, São Luís e outras cidades da região.
Entre os presos estão:

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Paulo Curió (União Brasil) – prefeito de Turilândia, principal alvo da investigação.
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Tânia Mendes (PRD) – vice-prefeita.
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Eva Curió – primeira-dama do município.
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Janaina Soares Lima – ex-vice-prefeita, e o marido dela, Marlon de Jesus Arouche Serrão.
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Wandson Jhonathan Barros – contador da prefeitura.
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Vereadores e ex-vereadores – várias lideranças do Legislativo municipal também tiveram mandados de prisão expedidos.
Segundo autoridades, o prefeito chegou a ficar dois dias foragido, se entregando à polícia em São Luís antes de ser levado ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas.
A acusação e o esquema de corrupção
As investigações apontam que o grupo estruturou um esquema sofisticado de fraudes em licitações e contratos públicos, por meio de empresas fictícias ou de fachada, que supostamente prestavam serviços inexistentes à Prefeitura. O dinheiro desviado teria sido ocultado por meio de contratos e operações fraudulentas, incluindo lavagem de capitais e corrupção.
Segundo promotores, cerca de 95% das licitações do município eram forjadas para beneficiar o esquema criminoso e favorecer aliados políticos.
Os crimes investigados incluem:
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Fraude em licitações;
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Peculato (desvio de recursos públicos);
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Corrupção ativa e passiva;
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Lavagem de dinheiro.
Depoimentos e desdobramentos
Nos primeiros dias de janeiro de 2026, o Ministério Público do Maranhão começou a ouvir os investigados. Gestores, vereadores, servidores e outros envolvidos foram chamados a prestar depoimento, muitos por videoconferência, perante o Gaeco. Parte dos parlamentares optou por permanecer em silêncio durante as oitivas.
Impacto político e administrativo em Turilândia
Com o afastamento do prefeito e da vice-prefeita, o presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo Diniz, assumiu o Executivo de forma interina, apesar de estar também sob investigação. A situação política do município permanece instável, com a população e órgãos de fiscalização acompanhando de perto os desdobramentos.
