A vaga para o Senado Federal que, tradicionalmente, ocupava um espaço secundário nas campanhas estaduais, nestas eleições 2026, virou protagonista. Há pelo menos dez nomes colocados na disputa pelas duas cadeiras, envolvendo lideranças de praticamente todos os grupos políticos do Maranhão.
Quem achava que o auge das eleições 2026 seria apenas a disputa pelo Governo do Maranhão claramente ainda não olhou para a corrida ao Senado. Com duas vagas em jogo, o Estado assiste a uma verdadeira explosão de pré-candidaturas, articulações, alianças improváveis e movimentos de bastidores que transformaram a disputa numa novela com capítulos diários. O maranhense tem se chocado a cada novo amanhecer com as chapas mais improváveis possíveis.
Quem foi anunciado de manhã, a tarde já não está mais e a noite outro nome é lançado. Assim tem sido a montagem das candidaturas. O Senado que, tradicionalmente, ocupava um espaço secundário nas campanhas estaduais, virou protagonista. Há pelo menos dez nomes colocados na disputa pelas duas cadeiras, envolvendo lideranças de praticamente todos os grupos políticos do Maranhão.
Mas talvez o aspecto mais curioso dessa eleição não esteja nem nos candidatos titulares; está nos suplentes. É justamente aí que a política maranhense revela um velho hábito e o discurso da “nova política”cai por terra.
Enquanto os discursos inflamados pregam a renovação, combate às oligarquias e defesa da boa política, as chapas frequentemente recorrem aos círculos mais próximos de confiança — familiares, aliados históricos e figuras do próprio grupo político.
É em uma dessa que a gente vê o bizarro deputado federal Márcio Jerry, crítico ferrenho da grupo político do atual governador com falácias de combate à oligarquia familiar, enquanto lança a sua esposa, Joslene Rodrigues, conhecida como “Lene”, a suplente da senadora Eliziane Gama.
Da mesma forma vemos o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral, eleito com apoio decisivo do governador Carlos Brandão – caso contrário, nunca, em hipótese alguma, seria eleito prefeito da 2ª maior cidade maranhense -, romper com o grupo, se aliar ao candidato de oposição e, “curiosamente”, sua esposa ser lançada como suplente do pré candidato ao Senado, André Fufuca (que também rompeu com o governo Brandão e se aliou à Eduardo Braide).
O resultado é um paradoxo inevitável. Muitos dos que criticam o suposto “projeto familiar” acabam recorrendo exatamente ao mesmo modelo quando chega a hora de montar suas próprias chapas. Muda o discurso. Mudam os personagens. Mas o roteiro, muitas vezes, permanece surpreendentemente parecido.
Enquanto isso, o eleitor tenta acompanhar um tabuleiro que muda praticamente todos os dias. Nomes entram, saem, migram de grupos, reaparecem em novas alianças e redesenham o cenário conforme as conveniências políticas de cada momento. No fim, fica a impressão de que os projetos pessoais têm pesado mais que qualquer compromisso coletivo e a fidelidade parece durar apenas até a próxima articulação de bastidor.

