julho 2, 2026

Fim da linha para o retorno? Justiça mantém Paulo Curió longe da Prefeitura

Paulo Curió, apontado pelo Ministério Público como líder de um suposto esquema de corrupção que teria desviado R$ 56 milhões dos cofres públicos.

A Justiça do Maranhão decidiu que o prefeito afastado de Turilândia, José Paulo Dantas Silva Neto, o Paulo Curió, continuará longe do comando do município por mais 180 dias. A decisão, assinada pela desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), faz com que o gestor complete, no mínimo, um ano sem exercer o cargo para o qual foi eleito.

A nova decisão mantém não apenas o afastamento do prefeito, mas também da vice-prefeita Janaína Soares Lima, da presidente da Comissão Permanente de Licitação, Clementina de Jesus Pinheiro Oliveira, e da chefe do Setor de Compras, Gerusa de Fátima Nogueira Lopes.

Segundo a magistrada, o relatório produzido durante a intervenção judicial revelou “fatos novos e contemporâneos” que reforçam a relação entre as supostas irregularidades investigadas e os cargos ocupados pelos agentes públicos.

“Fica mantido o afastamento cautelar do prefeito, da vice-prefeita e das respectivas servidoras. O relatório de intervenção sinalizou indícios de fatos novos e contemporâneos, os quais apontariam nexo causal e jurídico entre as supostas condutas em apuração e os cargos ocupados”, diz trecho da decisão.

A medida também mantém afastados oito vereadores da base de apoio do prefeito. De acordo com a relatora, houve descumprimento de medidas cautelares anteriormente impostas, além do surgimento de novos elementos durante a intervenção, circunstâncias que justificam a continuidade das restrições. Também foi prorrogada a suspensão do exercício profissional do contador Wandson Jonath Barros.

As investigações apuram a suposta atuação de uma organização criminosa instalada na Prefeitura de Turilândia, com suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Para a desembargadora, permanecem presentes os requisitos legais para manter as medidas cautelares, sobretudo diante do risco de interferência na instrução criminal.

Desde fevereiro deste ano, a administração municipal está sob intervenção judicial e é comandada pelo defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macedo, nomeado interventor pelo Tribunal de Justiça.

A prorrogação do afastamento reforça o entendimento do Judiciário de que, diante da gravidade das suspeitas e dos novos elementos apontados durante a intervenção, ainda não há condições para o retorno dos investigados ao exercício de suas funções. O caso segue em apuração, mas o cenário já é suficiente para manter, por mais seis meses, o prefeito distante da cadeira que pretende voltar a ocupar.

Bacabal: Gestão Roberto Costa cobra na Justiça conclusão de infraestrutura em loteamentos

A Prefeitura de Bacabal ingressou com ações na Justiça para obrigar as empresas responsáveis pelos loteamentos Green Park, Cidade Jardins e Ecoville a executarem as obras de infraestrutura prometidas aos moradores. O anúncio foi feito pelo prefeito Roberto Costa durante entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (1º), quando também detalhou as medidas administrativas adotadas pelo município.

Segundo o gestor, a iniciativa busca garantir que as loteadoras cumpram as obrigações previstas em contrato, após sucessivas reclamações da população sobre problemas como falta de pavimentação, deficiência no abastecimento de água e ausência de sistemas de drenagem.

Durante a coletiva, Roberto explicou que, conforme a legislação, cabe às empresas responsáveis pelos empreendimentos implantar toda a infraestrutura básica antes que os loteamentos sejam incorporados ao patrimônio do município. Entre as obrigações estão a construção da rede de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem e pavimentação das vias.
“O maior prejudicado é o morador, que investiu suas economias acreditando nas promessas feitas pelas empresas. Essas famílias não têm culpa pela situação e merecem ter seus direitos respeitados”, afirmou o prefeito.

Após levantamentos técnicos realizados pela Secretaria Municipal de Obras e análises conduzidas pela Procuradoria-Geral do Município, a prefeitura acionou o Judiciário. Em decisões liminares, o juiz Raphael Amorim determinou que as empresas Lastro e Raposo Construções cumpram prazos para a execução das obras, sob pena de sanções.

Serviços 

No caso da primeira etapa do Green Park, a administração municipal informou que constatou diversas irregularidades. De acordo com Roberto Costa, a entrega do empreendimento em gestões anteriores ocorreu apenas de forma documental, sem a devida verificação das condições da infraestrutura.

“Nossa equipe técnica fez toda a fiscalização e comprovou que aquilo que havia sido prometido aos moradores não foi executado”, declarou.

Com a decisão judicial, a empresa deverá iniciar, em até 15 dias, os serviços emergenciais de recuperação das ruas e apresentar, no prazo de 30 dias, o projeto definitivo de drenagem do loteamento.

Outra medida anunciada foi a suspensão da comercialização da quarta etapa do Green Park. Segundo a prefeitura, o novo setor não possui autorização da Secretaria Municipal de Obras e só poderá avançar após apresentar os projetos completos de infraestrutura.

A situação do Ecoville também foi abordada durante a entrevista. O loteamento enfrentou uma interrupção no fornecimento de água após problemas no poço administrado pela empresa responsável, provocando protestos de moradores.
Embora o abastecimento não seja atribuição direta da prefeitura, Roberto Costa afirmou que o município disponibilizou caminhões-pipa para minimizar os impactos à população.

“Mesmo quando a responsabilidade não é da prefeitura, não podemos ficar indiferentes ao sofrimento da população. Nossa obrigação é agir para ajudar quem precisa”, disse.

O prefeito também atribuiu os problemas à falta de fiscalização sobre novos empreendimentos em administrações anteriores. Segundo ele, a atual gestão adotou uma postura mais rigorosa e já impediu que três loteamentos fossem recebidos pelo município por não atenderem às exigências técnicas.
“Nossa intenção não é impedir investimentos, mas garantir que eles aconteçam dentro da lei e sem prejudicar a população. Não vamos aceitar que novos empreendimentos repitam os erros do passado”, concluiu.

  • Mônica

    Mônica Alves

    O blog Mônica Alves é um veículo de comunicação virtual, que vai informar, sugerir e analisar assuntos políticos, bastidores e comportamentos variados do estado do Maranhão e do Brasil.

    Ao criar essa página, quero contribuir e levantar questionamentos subjetivos dos mais simples aos que ganham grandes espaços de notoriedade, além de dar espaço à boas histórias, com personagens e lugares que serão (re) descobertos por meio de relatos em viagens, festividades culturais e visitas etnográficas, mas que nem sempre têm a oportunidade do destaque merecido.