TURILÂNDIA: Cidade vive choque após maior operação anticorrupção da história local
Turilândia, um município da Baixada Maranhense com cerca de 30 mil habitantes, virou nos últimos dias o centro de uma das mais graves investigações de desvio de recursos públicos dos últimos anos no interior do Brasil. Uma ação conjunta do Ministério Público do Maranhão (MP-MA) e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) revelou um esquema que teria desviado mais de R$ 56,3 milhões dos cofres municipais — uma quantia suficiente para transformar serviços básicos na cidade.
Operação Tântalo II — como foi a ofensiva
Batizada de Operação Tântalo II, em referência ao personagem mitológico condenado a nunca atingir aquilo que almeja, a ofensiva começou na manhã de 22 de dezembro de 2025, com a expedição de 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão em Turilândia e em várias cidades do Maranhão, incluindo São Luís e São José de Ribamar.
Segundo a promotoria, os envolvidos teriam usado empresas de fachada e contratos fraudulentos para desviar recursos públicos, com o dinheiro circulando entre pessoas ligadas ao município e empresas que, na prática, nunca prestaram os serviços contratados.
Quem são os principais investigados

Entre os alvos estão figuras centrais da administração municipal. O prefeito Paulo Curió (União Brasil) é apontado como o líder da organização criminosa e foi preso após dois dias foragido em São Luís.
Também foram presos ou tiveram prisão decretada:
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A primeira-dama, Eva Curió, suspeita de gerir parte do núcleo financeiro do esquema.
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A vice-prefeita Tânya Mendes e a ex-vice-prefeita Janaína Lima, ligadas ao grupo investigado.
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Vereadores e ex-vereadores do município, muitos deles envolvidos diretamente no suposto esquema, com alguns cumprindo prisão domiciliar ou usando tornozeleira eletrônica.
Segundo o promotor responsável pela investigação, todos os vereadores da Câmara Municipal estariam envolvidos, recebendo valores desviados — seja diretamente, seja através de familiares e pessoas de confiança.
Impacto financeiro e controle interno
O prejuízo causado ao município é considerado enorme para o porte de Turilândia. Os promotores apontam que o esquema teria ocorrido ao longo de vários anos, entre 2021 e 2025, por meio de fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro.

Durante a operação, foram apreendidos, ao menos, quase R$ 5 milhões em dinheiro vivo, incluindo valores escondidos em um endereço ligado a um dos investigados.
Medidas judiciais e consequências
A Justiça Estadual autorizou o bloqueio de milhões em bens e contas dos envolvidos e determinou a prisão preventiva de grande parte dos investigados. O prefeito e a vice-prefeita devem permanecer presos na Unidade Prisional de Ressocialização de Pedrinhas, em São Luís, enquanto os vereadores tiveram medidas cautelares como prisão domiciliar ou monitoramento eletrônico.
Com o afastamento da cúpula do Executivo e Legislativo, o presidente da Câmara Municipal deve assumir interinamente a prefeitura — ainda que também seja alvo de investigação — o que traz mais incertezas para a administração do município.
Contexto e repercussão
O caso de Turilândia serviu de alerta para o Brasil, mostrando como, em municípios menores, a combinação de pouca fiscalização e controle social reduzido pode ampliar oportunidades para irregularidades. Autoridades defendem que o caso reforce a necessidade de transparência nos gastos públicos, controle rigoroso de licitações e envolvimento ativo da população nos mecanismos de fiscalização das gestões municipais.










