HEXA 2026: Mais uma lembrança do que a gente não viveu

…e já estamos com saudade de mais um sonho adiado. Saudade daquilo que, depois de mais 24 anos de espera, também não vivemos.
Ganhar é bom. Ótimo. Maravilhoso. E quem diz o contrário ou está tentando vender uma humildade que não existe ou já perdeu o vigor pela vida faz tempo. O famoso “já morreu”.
Perder dói. E pode ser qualquer tipo de perda. Inclusive no futebol, quando a gente tenta camuflar as expectativas, controlar a ansiedade e fingir que uma Copa do Mundo é só mais um campeonato. Não é. Nunca foi.
São quatro anos esperando por um mês que passa voando.
De quatro em quatro anos eu faço a mesma promessa: não vou me apegar. Não vou criar expectativa. Não vou deixar um jogo estragar meu humor. Mas basta a bola rolar para eu perceber que menti para mim mesma.
A Seleção Brasileira faz parte da minha infância. Eu sempre fui apaixonada. Cresci assistindo aos jogos, reunida com a família, gritando, vibrando, vendo todo mundo de verde e amarelo, acreditando que o Brasil podia ganhar de qualquer adversário.
Só que, para mim, aquela Seleção deixou de existir faz tempo. Infelizmente!
Hoje eu vejo um futebol diferente. Não estou dizendo que faltam jogadores talentosos. O Brasil continua revelando craques. O problema é que, muitas vezes, parece que o peso das cifras milionárias fala mais alto do que o peso da camisa. A gente não percebe mais uma entrega, um verdadeiro “mata a mata” a qualquer custo. Aquela sensação de que defender a Seleção era o auge da carreira foi se perdendo pelo caminho. É triste acompanhar isso ao longo dos anos e viver olhando pelo retrovisor.
Ontem, 5 de julho de 2026, contra a Noruega, o sonho acabou mais cedo outra vez. E não foi apenas uma derrota. Foi mais uma Copa que termina deixando aquela pergunta que sempre volta: quando é que vamos sentir de novo o gosto de ser campeões do mundo?
O hexa virou uma espera que atravessa gerações.
Tem criança que hoje chora pela eliminação do Brasil do mesmo jeito que eu chorei anos atrás. A diferença é que elas também vão crescer ouvindo histórias sobre um título que nunca viram acontecer. E, apesar de toda frustração, eu sei exatamente o que vai acontecer …
Daqui a quatro anos vou repetir o mesmo discurso. Vou dizer que não vou me apegar. Que não vou criar expectativas. E, infelizmente, vou mentir de novo. Não dá para apagar uma torcida, uma vibração positiva do nosso povo.
Porque ser brasileiro também é isso. É reclamar, criticar, desconfiar, mas, quando a Copa chega é encontrar um cantinho dentro da gente onde a esperança insiste em sobreviver.
Eu tô triste de verdade. Até 2030!



