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Mulher: Saiba como identificar um relacionamento abusivo. Rompa e NÃO SE CALE!

Uma situação que fica cada vez mais comum e que, claro, não é “de agora”: – ciclo de violência contra a mulher.

A violência, de um modo geral, encontra-se enraizada na sociedade desde os seus primórdios, em todos os aspectos. Podemos percebê-la como um fenômeno cotidiano que se insere desde o âmbito público adentrando pelo espaço doméstico, que, em tese, deveria ser o refúgio das pessoas frente a toda forma de violência.

Perde-se as contas de quando a mulher, apenas por ser mulher, é subestimada, achatada, humilhada, preterida entre muitos outros conceitos. Algo que se tornou cultural, inclusive e infelizmente!

Por anos, as mulheres vêm lutando pelo seu lugar na sociedade. Lutando para falar e ser ouvida. Lutando pelo direito de ir e vir e ocupar os espaços de poder e do que quiser. Lutando por paridade e hoje, a maior das lutas, dar um basta a um ciclo de violência que tem crescido a passos muito largos.

Situações que todos os dias tomamos conhecimento; denúncias de violência, de abusos, de assédios, de ameaças e maus-tratos, geralmente vindo por parte de seus ex ou atuais cônjuges ou de pessoas muito próximas, do sexo masculino.

A violência em suas diferentes manifestações tem suas raízes na discriminação e, nesse sentido, as mulheres, de uma forma geral, são os sujeitos sociais que mais a tem sentido.

Historicamente e, até décadas atrás, muitas mulheres achavam que padecer pela violência imputada pelo seu cônjuge e/ou companheiro era uma coisa normal, já que sua mãe também a sofria pelo marido. Desta forma, a violência se propagava por muitas gerações, de forma cíclica, através do modelo patriarcal, oprimindo e alienando-as. Nesse sentido, a violência sempre foi a principal forma de dominação masculina, visto que o homem, de uma forma geral, não visava a eliminação da mulher, mas sim dominá-la a fim de mantê-la sob controle restrito ao ambiente doméstico.

Mas essa realidade vem tentando ser mudada desde quando a mulher se percebeu como agente dessa transformação, numa luta pelo fim de um ciclo de casos de violência doméstica. Simplesmente por não aguentar mais ser humilhada e ter sua vida colocada nas mãos de outro que vai ditar como ela deve viver e se comportar.

Ciclo da violência doméstica

O termo “ciclo da violência doméstica” foi criado em 1979, pela psicóloga norte-americana Lenore Walker, para identificar padrões abusivos em uma relação afetiva.

Mais de 40 anos depois, o termo continua sendo utilizado por psicólogos e defensores públicos especializados na defesa da mulher, afim de identificar a violência doméstica.

O ciclo é composto por três fases e é constantemente repetido em um contexto conjugal.
A primeira fase é chamada de “aumento da tensão”. É o momento em que o agressor demonstra irritação com assuntos irrelevantes, tem acessos de raiva constantes, faz ameaças à companheira e a humilha. Na maioria das vezes, a vítima nega os acontecimentos e passa a se culpar pelo comportamento do agressor, mas a tensão continua aumentando.

A segunda fase é chamada de “ataque violento”. É quando o agressor perde o controle e materializa a tensão da primeira fase, violentando a mulher. Importante lembrar que as agressões não se resumem apenas à violência física ou verbal. As violações também podem ser psicológica, moral, sexual ou patrimonial. É nesse momento que muitas mulheres tentam buscar ajuda, seja com apoio de familiares ou denunciando o caso.

Já a terceira fase, mais conhecida como “lua de mel”, é o momento em que o companheiro demonstra arrependimento, promete que a agressão não irá se repetir e busca a reconciliação. Geralmente, torna-se mais carinhoso, muda algumas atitudes, o que pressiona as mulheres a se manterem no relacionamento, em especial, quando o casal tem filhos. É por isso que muitas não conseguem quebrar esse ciclo.

Essas fases são chamadas de ciclo da violência doméstica justamente por que, depois de algum momento, a tensão sempre volta e, assim, o ciclo se repete, pode durar anos, muitas vezes sem obedecer à ordem das fases. A consequência mais drástica do ciclo é quando termina com o feminicídio, que é o assassinato da vítima.

Como romper o ciclo

As mulheres que sofrem violência doméstica tem a sua dignidade ferida, sua autoconfiança quebrada. Sentem medo, vergonha e constrangimento da situação, o que impede que muitas procurem ajuda de imediato. Dependência financeira, filhos, são diversos os motivos que levam muitas vítimas a adiarem a denúncia, mas esse silêncio só reforça a impunidade para o agressor, que não se sente responsabilizado.

Para romper esse ciclo, primeiro é necessário reconhecer os sinais da violência doméstica e suas diferentes formas. Elas estão descritas na Lei Maria da Penha, lei que também determina uma série de mecanismos para resguardar as vítimas, combater a violência e punir o agressor.

É possível denunciar casos de violência doméstica em qualquer delegacia, além das Delegacias de Defesa da Mulher. O Boletim de Ocorrência agora também pode ser feito pela internet, sem precisar ir até uma delegacia presencialmente. Há diversos serviços de atendimento jurídico, como o Ministério Público e a Defensoria Pública, que possuem núcleos específicos para o atendimento de vítimas de violência, ajudando nos pedidos de medida protetiva, guarda dos filhos e encaminhamento para abrigos sigilosos.

Portanto, fia, NÃO SE CALE! Quebre esse ciclo.

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