Saída de Geddel do governo é reflexo do ápice da crise no governo Temer

Em depoimento à Polícia Federal, segundo A Folha, Calero disse ainda que o presidente Temer o “enquadrou” no intuito de encontrar uma “saída” para obra de interesse de Geddel.

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Presidente Michel Temer entre a cruz e a espada. De um lado, o ministro da cultura cheio de … e de outro o “homem forte” da articulação, Geddel

A situação do ministro Geddel como secretario de governo, braço direito do presidente Michel Temer (PMDB), já estava no ápice da explosão, caso o “homem forte” da articulação do governo insistisse em se manter no poder, mesmo depois de ter sido acusado pelo ex­ministro da Cultura Marcelo Calero, por tráfico de influência, por de tê-­lo pressionado a rever decisão do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional), a qual impede a construção de um empreendimento imobiliário onde o ministro da Secretaria de Governo adquiriu apartamento.

À Polícia Federal, partiu do próprio Calero a denúncia de que o até o presidente Temer estava o “enquadrando”, no intuito de encontrar uma “saída” para obra de interesse de Geddel.

Na manhã desta sexta-feira, partiu do, agora, ex- ministro Geddel, uma carta de demissão, por e-mail, direcionada à Temer. Na carta de demissão, a qual se referiu ao presidente da República como “fraterno amigo”, Geddel escreveu que “avolumaram-se as críticas” sobre ele e, em Salvador, ver o”sofrimento” de sua família, que é o “limite da dor que suporta”. Ele, então, diz ao presidente que “é hora de sair”.

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Carta de demissão de Geddel para Temer

Na mensagem, ele também pediu desculpas a Temer pela dimensão das “interpretações dadas”, referindo-se à acusação de Marcelo Calero de que Geddel o pressionou para desembargar a construção de um condomínio de luxo em um bairro nobre de Salvador que havia sido barrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão vinculado ao Ministério da Cultura.

O porquê da crise

Tudo começou quando o empreendimento imobiliário adquirido por Geddel, em uma área nobre de Salvador,  foi embargado pela direção nacional do Iphan em razão de estar localizado em uma área tombada como patrimônio cultural da União, sujeita a regramento especial. Os construtores pretendem erguer um prédio com 31 andares, mas o Iphan autorizou a construção de, no máximo, 13 pavimentos. Calero “entrou” na situação por ser, à época, ministro da Cultura, tendo o Iphan como órgão subordinado ao Ministério.

A turbulência política foi provocada após a denúncia prestada por Calero afirmando que estava sendo pressionado por Geddel a “rever” a decisão do Iphan e liberar a obra. Mais tarde, a situação se agravaria com a denúncia prestada, por Calero, à Polícia Federal, a qual, segundo a Folha de São Paulo, deu conta de que o ex-ministro estava sendo “enquadrado” pelo presidente Michel Temer em arranjar um “jeitinho” de encontrar uma “saída” para a obra de interesse de seu “homem forte”.

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