Governo do Maranhão x Prefeitura de São Luís: parceria que não vem dando certo

O Maranhão está de GREVE!

Capa do jornal O Estado do Maranhão
Capa do jornal O Estado do Maranhão

Por décadas, os milhares de maranhenses esperavam ansiosamente a proeza da parceria entre os governos, municipal e estadual. Em muitos discursos, em muitas campanhas eleitorais, em muitas promessas de candidatos, a junção entre os poderes seria a realização de uma capital e um estado que caminharia rumo ao desenvolvimento e, principalmente, a dar certo. Só que não!

Passados anos de ensaios do poderes, finalmente aconteceu o que os “mais velhos” sempre disseram, “quando o governo apoiar a prefeitura, tudo vai melhorar”. Eu mesma já ouvi, por várias vezes, papai dizendo isso. Eu também pensava, eu também acreditava que seria ‘a salvação dos nossos dias e futuro do estado’.

Ao ter o tal pensamento ilusório, eu esqueci que a proposta da política é diferente dos políticos. Política é ferramenta, político é o mentor. E na nossa política, os nossos mentores têm nos mostrado a que realmente vieram e o que estão fazendo pelo povo e pela cidade e estado. Vou me ater à política local.

Em 2012, governo Roseana Sarney (PMDB), Edivaldo Holanda Júnior (PDT), como um fantoche nas mãos do ‘arquiteto de ideias’ – Flávio Dino (PCdoB), foi criado e manipulado como o candidato a disputar a prefeitura de São Luís. É claro que todo mundo sabia qual o real interesse do comunista (que já vinha há anos tentando fortalecer o seu interesse em se tornar governador do estado). A palavra de ordem era MUDANÇA!

À época, os milhares de ludovicenses cansados de apanhar do então prefeito João Castelo (PSDB), apostaram no novo, apostaram no menino de riso fácil e abraço caloroso. Apostaram nas centenas de promessas. Apostaram e acreditaram que, agora sim, São Luís viveria coisas novas e novas oportunidades e desenvolvimento. Apostaram, sem dúvida, que a mudança, enfim, chegaria.

O povo acreditou e votou e Edivaldo venceu as eleições, desbancando o prefeito e candidato à reeleição – que se considerava o experiente -, Castelo.

Durante o ano de 2013 e 2014, além de eleitores, sociedade em geral, ficou esperando o grande marco da gestão de Edivaldo, que parecia mais perdido do que cego em tiroteio. Um secretariado de amadores foi logo constituído, sendo, por inúmeras vezes, trocado de seus postos, deixando mais vulnerável a sua gestão.

Como falei acima, Roseana Sarney – governadora -, até tentou a tão sonhada parceria em prol do povo. Houve até o dizer “vamos salvar São Luís”. Mas, infelizmente, como um menino apenas mandado pelo seu mentor, Edivaldo não foi autorizado por Flávio Dino em aceitar a proposta de parceria. Ou seja, olha a diferença entre a política e os políticos. NÃO ao povo .. SIM ao ódio e aos seus interesses pessoais.

É óbvio que Flávio Dino jamais aceitaria tal ajuda, afinal, como um ser que só pensa em si, em manifestar o seu ódio pessoal pela família Sarney e outros desafetos, abriria mão da prefeitura de São Luís para pantetear o seu projeto?

Flávio Dino foi eleito governador do Maranhão com a ajuda da prefeitura de São Luís, claro, com a proposta da MUDANÇA. Maranhenses desesperados em novas oportunidades, num novo Maranhão, creditaram e acreditaram nos ‘diálogos de gogó’. Pronto, agora a parceria tão esperada entre a prefeitura de São Luís e o Governo do Estado vai nos salvar. Tudo vai mudar.

Hoje, 2016, quase 4 anos de mandato de Edivaldo Júnior, quase 2 anos completos do governo de Flávio Dino e o que se pode ouvir dos milhares de ludovicenses e maranhense? Hoje, podemos ouvir somente a palavra GREVE, ao pé da letra, acompanhada das palavras de ordem: Flávio Dino nunca mais, Edivaldo Júnior nunca mais.

Os maranhenses estão em greve de sonhos, de oportunidades há anos. Até hoje esperamos a mudança prometida, aquela que viria e não tardaria.

Ai vai ter alguém que pode questionar, com toda razão, “ah e os governos passados”? Sim, os governos passados usaram também apenas a política como ferramenta para a maioria de suas benesses. Como sempre, é o povo que paga a fatura ao final. Não foram governos passados que prometeram ‘limpar’ as cidades e o estado. Foi o atual.

Quase 2 anos de ‘parceria’ e não consegui vislumbrar nada novo na cidade e nem no estado. Os gestores atuais parecem viver eternamente na sombra dos gestores passados. Tudo é atribuído ao fracasso de mandatos passados. Tá, tudo bem .. mas e o novo? O que pode ser proposto para o povo a partir daqui? Como podemos trabalhar a partir daqui? Cadê a mudança, cadê as coisas novas?

O Maranhão está em greve. A educação está em greve. Servidores municipais aprovaram indicativo de greve – movimento paredista começa quinta-feira, 23. Os policiais civis estão em greve. Funcionários do Detran/Ma deflagraram greve.

O que esperar de governos que pregaram diálogo, mas que não dialogam? O que esperar de governos que perseguem trabalhadores? O que esperar de governo que não valoriza professor e educação? O que esperar de governo que só exala ódio aos seus desafetos e ainda trai os afetos? O que esperar de um governo que não ouve, só ordena? O que esperar de um governo que maquia a cidade somente em vésperas de eleição?

Na prática, estamos tendo, mais uma vez, a infeliz certeza e vivência de que não importa a promessa de parceria, se não há a disposição para trabalhar. Não importa se os governos são ‘aliados’, pelo menos aparentemente, o que realmente importa para a sociedade é que desavenças políticas sejam menores do que o anseio do povo e o bem para a sociedade. A parceria do Governo e Prefeitura não vem fazendo bem para São Luís e nem para o Maranhão. Mais uma vez, a política vira zero como ferramenta e meio de direcionar (para melhor) a sociedade e vira, como sempre, o meio pessoal pelo qual pessoas realizam suas vontades obscuras e intocáveis.

Qual é a sua opnião sobre essa matéria?