Entenda por que o Brasil não vai para frente e vai continuar sendo um país corrupto

Lars Göran Tomas Lambertz foi o Chanceler da Justiça Sueca, entre 2001 e 2009. Ele está atualmente servindo como um juiz no Supremo Tribunal da Suécia.
Lars Göran Tomas Lambertz foi o Chanceler da Justiça Sueca, entre 2001 e 2009. Ele está atualmente servindo como um juiz no Supremo Tribunal da Suécia.

O Brasil é um país corrupto e vai continuar sendo, enquanto estimular e bancar a mordomia de autoridades, sejam elas, políticas ou magistrados.

Ao colocar uma autoridade em situação de desigualdade em relação ao cidadão comum, isso estimula a corrupção.

Existem muitos e incontáveis motivos pelos quais o Brasil nunca deixará de ser um país viciado na corrupção e prostituído com esta. A começar pela forma como nossas eleições são realizadas, como os partidos políticos são criados, como os benefícios apenas para as “ótôridades” são distribuídos, pesando mais no bolso destes ricos e folgando cada vez mais o bolso do pobre trabalhador, que sua o mês inteiro para, em sua maioria, ganhar um salário mínimo, cheio de descontos e impostos.

Na Suécia, país de primeiríssimo mundo e que todo mundo o usa como referência, juízes, além de ganhar salários menores do que os dos juízes brasileiros, não usufruem de nenhuma contribuição extra. No popular, de nenhuma mordomia imoral.

Pagam seu próprio aluguel;

Auxílio moradia de R$ 4.377,73 para todos os juízes brasileiros
Auxílio moradia de R$ 4.377,73 para todos os juízes brasileiros

Pagam seu próprio almoço;

Não recebem nenhuma ajuda para o transporte;

O presidente da suprema corte vai de bicicleta ao trabalho;

Entende-se que o salário do juiz lhe permite perfeitamente pagar sua refeição do próprio bolso. Assunto que eu já até falei aqui no blog em outra oportunidade, reprovando tantos benefícios aos deputados e auxílios aos magistrados. E o trabalhador assalariado? Qual o benefício deste que está na labuta de sol a sol?

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Bem se vê o interesse em defender o dinheiro público. Joaquim Barbosa jogou pelo ralo 90 mil de dinheiro público para reforma de banheiros (2013). Pura ostentação do homem da capa preta!

Na Suécia, não há nenhum Joaquim Barbosa a gastar R$ 90 mil de dinheiro público, do próprio Supremo Tribunal Federal (STF), reformando seu próprio banheiro. Ai este homem da “capa preta” quer dar um de salvador da Pátria. Um imoral desse que usa o dinheiro do povo para luxar em banheiros.

Para o juiz sueco Göran Lambertz, “se o sistema judiciário de um país não for capaz de obter o respeito dos cidadãos, toda a sociedade estará ameaçada. Haverá mais crimes, haverá cada vez maior ganância na sociedade, e cada vez menos confiança nas instituições do país. Juízes têm o dever, portanto, de preservar um alto padrão moral e agir como bons exemplos para a sociedade, e não agir em nome de seus próprios interesses”.

Goran Lambertz ainda acrescenta: “Em minha opinião, é absolutamente inacreditável que juízes tenham o descaramento e a audácia de serem tão egocêntricos e egoístas a ponto de buscar benefícios como auxílio-alimentação e auxílio-escola para seus filhos. Nunca ouvi falar de nenhum outro país onde juízes tenham feito uso de sua posição a este nível para beneficiar a si próprios e enriquecer”, diz.

A escritora Claudia Wallin, em seu livro ‘Um país sem mordomias’, conta que os suecos entenderam que a melhor forma de acabar com a corrupção não é endurecendo as punições. Ao contrário, as punições são brandas. O que eles valorizam é acabar com a impunidade, o que é bem diferente.

A luta contra a corrupção na Suécia, diz o livro de Wallin, começou pela redução das desigualdades de renda, para a qual contribui um sistema tributário baseado num conceito rígido de justiça fiscal: a sonegação é um crime gravíssimo e os ricos pagam mais impostos.

Por fim, adotam um método que o Brasil também deveria seguir: em algumas obras mais custosas, onde sabem que haverá tentações, monta-se uma agência responsável por vigiar possíveis desvios naquele caso específico.

Nenhum juiz sueco têm direito a auxílio-moradia, auxílio-saúde, auxílio-alimentação, abono de permanência, prêmios, gratificações extras ou carro oficial com motorista. Em números atualizados, os salários dos magistrados suecos variam entre cerca de 15 mil e 30,2 mil reais.

“Luxo pago com dinheiro do contribuinte é imoral”, pontua Lambertz, que todo dia pedala até a estação ferroviária e pega um trem para o trabalho – na instância suprema do Poder Judiciário.

P.S – É uma pena que o Brasil seja um país escravizado desde os primórdios (só mudando o tipo de escravidão) e, pelo visto, continuará a sê-lo, pois continua mantendo a cultura do privilégio, do “jeitinho”, a cultura da desigualdade para os tipos de trabalhos, raças e gênero. E aí, volto a bater na mesma tecla: “o país precisa é de educação”.

Vídeo: Como vive um juiz da Suprema Corte da Suécia

One thought on “Entenda por que o Brasil não vai para frente e vai continuar sendo um país corrupto

  • 01/12/2015 at 13:43
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    Muito bom!

Qual é a sua opnião sobre essa matéria?