Sebastião Uchôa rebate matéria da revista Época sobre canibalismo e garante: “Sou um homem honesto, destemido e humilde”

pedrinhas

Em contato comigo, na manhã de hoje, 20, o ex-secretário de Justiça e Administração Penitenciária Sebastião Uchôa, patenteou ser um homem de princípios ao afirmar ser “um homem honesto, destemido e humilde”, quando me repetiu várias vezes essas palavras.

Na última sexta-feira, 17, foi divulgada pela revista Época, uma matéria onde um funcionário do setor de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do estado do Maranhão trouxe à tona, contando em detalhes, como aconteceram casos de canibalismo dentro do Complexo, no ano passado, 2014.
O agente ainda diz na entrevista que o secretário da época, Sebastião Uchôa foi omisso à esses casos para evitar escândalos. O agente afirma também que o sistema penitenciário é impossível de ser controlado.

Trechos da matéria da revista Época:

Em oitiva gravada no mês passado, o servidor maranhense informou que houve, pelo menos, dois casos de canibalismo dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Pelo relato, dois presos foram mortos num “ritual macabro” feito por detentos da facção criminosa Anjos da Morte, chamada de ADM. “Eles são loucos, psicopatas. Não existe uma lógica no diálogo com eles”, descreve o agente de inteligência, que depôs de forma sigilosa para cinco deputados, um juiz e uma defensora pública“.

A primeira vítima de canibalismo, de acordo com o depoimento, foi o detento Ronalton Rabelo, de 33 anos. Preso por assalto, Rabelo conseguiu um alvará de soltura em 11 de abril de 2013. Quando o advogado chegou ao presídio para buscá-lo, foi informado pela administração de Pedrinhas que Rabelo desaparecera dez dias antes. Até hoje, mais de dois anos depois do sumiço, o inquérito da Polícia Civil do Maranhão não concluiu nada sobre o caso. O agente de inteligência disse à CPI o que soube sobre o desaparecimento de Rabelo: “Ele foi desossado. Foram cortados os pés, as mãos, cada membro. Foram tiradas as vísceras, coração. Os informantes disseram que ele foi morto na quadra de banho de sol e seus pedaços foram colocados em sacolas e distribuídos. Foi cozinhado na água com sal para evitar o odor e alguns órgãos foram comidos em rituais dessa facção, da ADM, Anjos da Morte, como rins, fígado, coração. O restante foi dispensado no lixo.

A segunda vítima da atrocidade, segundo o servidor da Segurança Pública, foi o detento Rafael Libório, de 23 anos. Preso por homicídio qualificado, Libório sumiu dentro de Pedrinhas em 8 de agosto de 2014. Quatro dias depois, o corpo foi encontrado em pedaços dentro de um saco plástico enterrado numa cela do presídio. O agente de inteligência, que participou das buscas pelo preso, contou à CPI o que fez quando foi informado que Libório havia sido vítima de canibalismo: “Fomos imediatamente, isso já era tarde da noite, para os baldes de lixo. Procuramos e achamos da forma como tinham descrito o outro (Rabelo). Do mesmo jeito. Desossado. Não achamos o crânio. Achamos o couro cabeludo da cabeça, mas não achamos o crânio e a pele do rosto. Achamos os pés, os órgãos genitais. E não estavam fedendo, o que nos induz que foi feito o mesmo procedimento de cozinhar com água e sal”. O servidor entregou aos deputados da CPI seis fotos de pedaços do corpo de Libório.

Ao ter conhecimento da matéria, a qual se refere à ela como “falta de verdade”, o ex-secretário de Justiça e Administração Penitenciária diz ainda que estão querendo fazer politicagem com a segurança pública e, claro, quem é que não sabe que a segurança pública do estado, como diversos outros setores são prostituídos?

Em sua página pessoal na rede social, Sebastião se defende: “Época falta com a verdade acerca de que este manifestante foi procurado para se pronunciar a respeito das inverdades coletadas pela CPI, e não fora encontrado. Pois, sequer fui convidado ou convocado para a audiência pública ocorrida em São Luís do Maranhão, mês passado. Tendo endereço e domicilio certo, notadamente detentor de cargo público efetivo e disposto a quaisquer esclarecimentos que se fizessem mister. Pois, baseada em asneiras ditas por um agente penitenciário condenado judicialmente onde teve como vitima este subscritor, pronúncia de membros da Comissão que não corresponde a verdade dos fatos de que nada foi apurado acerca de mortes e possível sumiço de preso em Pedrinhas, bem como de um estranho, incompleto ou fragmentado, por ação irresponsável do jornalista, nas palavras do magistrado da VEC Fernando Mendonça de que achava essa situação “esquisita”, de forma que terminou por difundir absurda e criminosamente fatos que ainda se encontram em investigações, bem como tiveram ampla divulgação pública no ano pretérito,sobretudo em face da corrida eleitoral ao governo do Estado no pleito de 2013. Digna, a citada matéria, por sinal, de reparação judicial na forma da lei”.

sebastiao

Na conversa – por telefone – ainda fui informada de que SU está movendo 3 ações contra a revista Época, por:
– Mentir ao dizer que ele foi procurado;
– Mentir ao dizer que ele está sendo investigado;
– Mentir ao dizer que ele se omitiu da imprensa

Ao finalizar a conversa, Sebastião ainda se disse chateado com a matéria publicada, pois, segundo ele, sempre denunciou e nunca aceitou “casos errados”. Prova disso são as imagens abaixo (do Atual 7), as quais rebatem a informação do funcionário da secretaria, quando este afirmou que o ex-secretario foi omisso nas investigações.
As investigações estão “correndo” desde o ano de 2013.

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Qual é a sua opnião sobre essa matéria?