“Todo mundo é igual quando sente dor”

Eu não sei se tem alguma coisa que alivia a gente
mais do que quando chega alguém perto de nós naqueles
momentos difíceis. Pega nossa mão e diz: “Eu estou aqui!”

Durante o pouco tempo que tenho de blog – e é do pouco que se faz o muito – quem me acompanha sabe que em todas as minhas publicações, até aqui, o subjetivismo e a personalidade é o que tem sido marcante.

Esse meu espaço virtual é um local onde eu vou sempre querer expor, além das minhas ideias, dos acontecimentos do nosso cotidiano, quero também falar sobre o que sinto. Não há mal nisso ou há?!

Hoje eu senti vontade de falar sobre a vida, as pessoas, os medos, as necessidades, as mudanças e adaptações. No geral, o dia a dia de um ser humano, dotado dos mais variados sentimentos.

Por que amamos? Por que acordamos tristes e não sentimos vontade nem de levantar da cama? Ou por que sentimos medo ou por que precisamos nos adaptar às situações colocadas à nossa frente? Acredito que ser humano significa isso. É também ser forte quando a nossa única escolha é essa.

Se hoje, hipoteticamente, eu disser que acordei triste ou sem vontade de sair da cama mesmo com um monte de coisas acumuladas para fazer. Se eu contar que senti preguiça de fazer as coisas que rotineiramente são feitas em poucos minutos. Se eu disser que hoje não foi um dia como os outros? Que foi desanimado e sem energia até para gargalhar? Vai ter alguém para dizer “reage, te anima. Essa não é você. Tem tanta gente com tantos problemas maiores e até mais graves que esses seus”.

Ei, calma! Por que eu não posso acordar assim?

Eu poderia citar aqui vários casos de pessoas que se superam nas mais variadas “provas” de fogo da vida. Falo agora de saúde. Posso falar também de fome. Desse tipo de tristeza. Poderia falar das pessoas que ultrapassam as suas limitações.

Não é desmerecendo ou enaltecendo esse ou aquele ‘problema’. Mas hoje eu quero falar da saúde emocional, do nosso interior, dos nossos sentimentos.

Existe uma frase bem clichê que diz “todo mundo é igual quando sente uma dor”. E eu concordo! Quem não fica parecido com o outro quando está frágil? A dor não escolhe classe social e nem cor. Dor faz as pessoas se identificarem, se aproximarem.
E que dor é essa? Por que a sentimos?

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Sentimos dor quando algo não vai bem. Sentimos dor quando projetamos e não acontece. Sentimos muita dor quando perdemos um ente querido ou um amor que não vingou. Sentimos dor por causa do emprego que perdemos. Por uma amizade rompida. Dor de saudade. Por uma briga. Por mudanças e até por novas adaptações.
Quem também não sofreu por ter se mudado daquela rua que era cheia de amigos?

Uma vez ouvi de um amigo que a vida é um ir e vir infinito e que a vida é um ciclo, onde velhas coisas vão para que novas possam chegar. Mas quem entende isso na hora da dor?
Ei, para! Quem disse que eu quero que “a coisa velha” vá  embora? Quem disse que eu quero que novas coisas cheguem?

“É menina, às vezes a dor labora a nosso favor”, disse ele.

Na hora da dor a gente não consegue entender mesmo muito as coisas. É meio que cego em um tiroteio. Mas as mudanças são necessárias para que o futuro possa chegar e se fazer presente.

Mas por que mudar? Seria isso necessário?
Por que então não se adaptar? Não reformular?

Ora, ora, a vida é uma via de mão dupla. Você pode mudar, se adaptar, se reformular. E a outra via? Será que está nesse mesmo processo de mutação?

Será que sofremos por que não percebemos que no nosso dia a dia continuamos fazendo as mesmas coisas, mesmo nos achando num processo de elevação de mudança interior?

Se eu continuar a escrever, eu não paro. Eu teria muitos questionamentos a fazer. Eu sairia citando, por exemplos próprios, vários momentos de dor, mas de crescimento também.

Mudar é preciso. Adapta-se também. Reformular, mais ainda!

Ainda bem que todos os dias, até agora, Deus tem nos dado, todos os dias, a oportunidade de um novo dia, de um novo recomeço, de crescimento. De não se acostumar com a dor. Mas tirar dela o proveito necessário para que o outro dia seja diferente.

Que as dores não sejam motivos para que paremos de lutar, de sonhar ou de caminhar. Mas que a tristeza ou o desapontamento de hoje seja como chama para nos impulsionar amanhã.

Alguém pode me perguntar: mas será que é fácil agir assim, fazendo de conta que não sentimos nada?
Eu responderia: Não! Não nos privemos de sentir nada. Mas aproveitemos somente aquilo que labore a nosso favor!

Já dizia Martha Medeiros

“Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos”.

Avante!

One thought on ““Todo mundo é igual quando sente dor”

  • 23/04/2015 at 12:16
    Permalink

    A dor deve ser sentida, mastigada e engolida. O problema é que existe dores que vão e voltam todo o tempo. Gostei bastante do texto Mônica, acho que deveria escrever mais sobre assuntos assim. Isso faz com que o leitor se identifique mais com você.

Qual é a sua opnião sobre essa matéria?