Cuba decide não se submeter às exigências do Brasil e acaba com o “Programa Mais Médicos”

“Além de explorar seus cidadãos ao não pagar, integralmente, os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos” – presidente eleito Jair ‬Bolsonaro

O Brasil sempre foi conhecido por ser um país “casa da mãe Joana”, principalmente, pelos próprios brasileiros, como eu mesma que me sinto, em muitos momentos, incomodada, com a tamanha liberdade que o país “fecha os olhos” para tanto descontrole, tanto dos de dentro de casa, quanto dos “da rua”, ou seja, imigrantes.

Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil para terror dos movimentos e partidos de esquerda e, até, também, para países “compadres” nosso, como a Cuba e a Venezuela.

Pois bem, tínhamos aqui, em várias localidades do território brasileiro, médicos cubanos trabalhando no Programa Mais Médicos, idealizado pelo governo PT.

O Mais Médico foi lançado no Brasil no dia 08 de Julho de 2013, pelo governo Dilma Rousseff (PT), cujo objetivo, na teoria, era suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades do país e, sinceramente, acredito que supriu, ajudou e não sou de um todo contra.
Só que existem meios de fazer as coisas, valorizando e incentivando o profissional.

Infelizmente, o Programa Mais Médicos, além de ter tido uma boa razão por um lado, por outro, usava os profissionais para suprir deficiências financeiras do país dos médicos estrangeiros.

Como pode gente, um profissional sair de seu país para trabalhar  – diretamente com vidas – em outro país e a maior parte do seu salário, 70%, voltar para o seu país de origem, deixando o médico vivendo com apenas 30%.
Isso é desumano! Isso sim precisava de um basta!

De acordo com matéria do site El País, uma médica cubana, que atuou por três anos no Mais Médicos em São Paulo, conta que a notícia tem deixado os companheiros que ainda estão no programa “muito abatidos”.

Sem informações oficiais de como será a transição, eles acreditam que só trabalharão mais este mês antes de retornar à Cuba. Considerada desertora depois que conseguiu o visto de residente no Brasil, a médica pediu para não ser identificada por medo de represálias do governo cubano à sua família. “O verdadeiro motivo dessa decisão é o salário. Como todos sabem, 70% do nosso salário ficava com o governo e 30% com a gente. Eu recebia em torno de 2.900 reais. Só consegui viver em São Paulo porque tinha ajuda da prefeitura com a moradia”, contou. “Mesmo assim, compensava pra gente”, acrescentou.

Diante disso, os questionamentos sobre a formação profissional dos médicos cubanos e as condições impostas pelo presidente Jair Bolsonaro para dar continuidade ao programa Mais Médicos no Brasil com os profissionais da ilha comunista levou o Governo cubano a encerrar sua participação no programa no país e solicitar o retorno à ilha dos 8.332 mil especialistas que atuam no Brasil.

As condições impostas por Bolsonaro — de exigir a revalidação do diploma e contratar individualmente os profissionais cubanos — foram consideradas inaceitáveis.

Em Nota divulgada nesta quarta-feira, o Ministério de Saúde Pública de Cuba considerou “inaceitável” que se questione a competência e o altruísmo dos colaboradores cubanos, que atuam em 67 países atualmente.

Cuba tomou a decisão de solicitar o retorno dos mais de 11 mil médicos cubanos que trabalham, atualmente, no Brasil depois que Bolsonaro questionou a preparação dos especialistas, condicionou sua permanência no programa “à revalidação do diploma” e impôs “como via única a contratação individual”.

No Twitter, Bolsonaro lamentou que o governo cubano não tenha aceitado as condições.

Volto a falar, o Programa poderia ter sido usado, aproveitado de uma outra forma e, por isso, com a saída do governo petista do poder, o Programa começou a definhar, já no início deste ano, 2018.

Para o futuro presidente, Bolsonaro, “além de explorar seus cidadãos ao não pagar, integralmente, os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos”.

Críticas ao Programa

Na época, a vinda dos médicos cubanos causou muito transtorno e duras críticas de associações representativas da categoria, sociedade civil, estudantes da área da saúde e, inclusive, do Ministério Público do Trabalho.

A Associação Médica Brasileira (AMB) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal ainda em 2013, alegando que o programa promovia “o exercício ilegal da medicina” pela não exigência dos exames de revalidação de diploma pelos estrangeiros. No final do ano passado, o STF negou o pedido por 6 votos a 2.
A verdade é que os médicos brasileiros nunca aceitaram dividir espaço com profissionais da área de outros países.

Mas, a verdade também, é que muitos médicos cubanos chegaram onde muitos dos nossos brasileiros se opuseram a ir. Atenderam muitas famílias em locais que os nossos brasileiros rejeitavam para aceitação da tarefa.

Em tempo

O Ministério da Saúde afirma ter recebido, na manhã desta quarta-feira, 14, o comunicado da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) com a informação da saída do Mais Médicos no Brasil e que está adotando todas as medidas para garantir a assistência dos brasileiros atendidos pelas equipes da Saúde da Família. O órgão também informa que, desde 2016, vem trabalhando na diminuição de médicos cubanos no programa. “Até aquela data, cerca de 11.400 profissionais de Cuba trabalhavam no Mais Médicos. Neste momento, 8.332 das 18.240 vagas do programa estão ocupadas por eles”, destaca. O ministério também vem estudando a negociação com os alunos formados através do FIES (Programa de Financiamento Estudantil) para suprir as vagas. “Essas ações poderão ser adotadas, conforme necessidade e entendimentos com a equipe de transição do novo governo”, salientou a Nota.

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