ENEM: Presidente eleito Bolsonaro critica modelo atual da prova e diz que exame nacional deve tratar sobre “o que interessa”

Após ser eleito e ter a sua “voz” reproduzida de todas as formas, tons e interpretações, o futuro presidente Jair Bolsonaro (PSL) criticou o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio -, logo no 1° dia útil após a aplicação da prova em todo território brasileiro.

Para Bolsonaro, a prova realizada no último dia 04 de Novembro, foi considerada como “vexame” e uma “doutrinação exacerbada”. Em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, na TV Band, o ex-capitão do Exército Brasileiro afirmou que a questão ideológica é grave no país e que precisa ser enfrentada.

– Tão mais grave que a corrupção, é a questão ideológica no Brasil, que está muito arraigada por parte de alguns aqui em nossa pátria e você tem que lutar contra isso. Até a própria prova do Enem, é um vexame. Você ver o que é uma prova do Enem, o que mede conhecimento, por exemplo, essa primeira parte realizada no domingo passado, ou seja, uma doutrinação exacerbada – declarou.

Questão do Enem 2015 – A citação do trecho de um livro da feminista Simone Beauvior gerou divergências, na época, entre internautas

O presidente disse ainda que o Enem deveria cobrar “conhecimentos úteis” para a sociedade, em vez de tratar de assuntos que possam influenciar os jovens futuramente. “Uma questão de prova que entra na dialética, na linguagem secreta de gays e travestis não tem nada a ver, não mede conhecimento nenhum. A não ser obrigar para que no futuro a garotada se interesse por esse assunto”, afirmou.

Amanhã, 11, o Enem 2018 volta a ser aplicado, com questões sobre ciências da natureza e matemática. Ao todo, 5.513.726 estudantes estão inscritos. 

A questão da imagem acima foi um tema polêmico e desnecessário à uma aplicação de prova que mede conhecimentos, na avaliação de Jair Bolsonaro que considerou como ligação à ideologia de gênero, caracterizando doutrinação nas escolas.

– Essa prova do Enem, vão falar que eu estou implicando, mas pelo amor de Deus, aquela linguagem particular daquelas pessoas, o que nós temos a ver com isso, meu Deus do céu, vamos ver o significado daquelas palavras, é um absurdo.

Bolsonaro decide que no seu governo prova do ENEM vai ser fiscalizada antes

Faltando dois dias para a segunda aplicação da prova do Enem, a se realizar neste domingo, 11, nas específicas de Matemática e Ciências da Natureza, o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou sexta-feira (9) que a partir do ano que vem ele tomará conhecimento do conteúdo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) antes da aplicação da prova.

Bolsonaro deu a declaração em uma transmissão ao vivo no Facebook ao falar sobre uma questão no Enem deste ano que abordou o pajubá, conjunto de expressões associadas aos gays e aos travestis.

O presidente eleito comentou questão do Enem deste ano sobre ‘dialeto secreto’ de gays e travestis. Segundo ele, futuro ministro da Educação deve entender que Brasil é país conservador. Sobre Moro, disse que futuro ministro antes ‘pescava com varinha’ no combate à corrupção e agora vai ‘pescar com rede de arrastão’.

– No Enem do ano que vem, pode ter certeza, fique tranquilo, não vai ter pressão dessa forma no ano que vem. Nós vamos tomar conhecimento da prova antes. Vão ter perguntas sobre Geografia, dissertação sobre História, questões voltadas ao que interessa ao futuro da nossa geração, do nosso Brasil – disse o presidente.

Atualmente no país nem o presidente da República nem o ministro da Educação têm acesso à prova previamente. O material só é acessado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela aplicação do exame.

‘a escola não é pra aprender a fazer sexo’

O militar ainda disse na transmissão ao vivo que “a escola não deve ser um local para o aluno aprender sobre sexo”.

– No Enem não vai ter pergunta como essa no ano que vem. Vão ter questões que interessam ao futuro da nossa nação. Isso [a pergunta] estimula a briga de quem pensa diferente. Nós não queremos isso, queremos pacificar o Brasil. A escola não é pra aprender a fazer sexo. Quando o pai bota o filho na escola, quer que ele aprenda alguma coisa. […] Queremos a normalidade – afirmou.

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