Reino dividido: PM preso acusa secretário de Flávio Dino de forçá-lo a envolver deputado, da base governista, em esquema de contrabando

O governo comunista de Flávio Dino parece desmoronar com bombas diárias, graças aos seus próprios aliados e funcionários

Preso preventivamente em São Luís (MA) desde fevereiro, acusado em operação contra contrabando de armas, cigarros e bebidas, o policial militar Fernando Paiva Moraes Júnior afirmou, em depoimento à Justiça Federal do Maranhão, que foi coagido pelo secretário de Segurança Pública do governo Flávio Dino (PCdoB), Jefferson Portela, a fazer delação premiada e envolver, em irregularidades, o deputado estadual Raimundo Cutrim (PCdoB). A coação, segundo ele, ocorreu durante reunião no Ministério Público Federal, sem a presença de seus advogados. Portela o induziu a mentir. O PM moveu queixa-crime contra Portela.

No início do depoimento à Justiça Federal, Paiva dispensou auxílio da Defensoria Pública e, questionado sobre sua colaboração pelo juiz, denunciou: “Meritíssimo, eu fui coagido a fazer esta delação premiada, fui coagido pelo secretário de segurança Jefferson Portela e por um coronel que me conduziu”.

O soldado diz que foi tirado de sua cela à noite. “Primeiro, eu perguntei o motivo de estar sendo tirado da cela. Disseram que captaram a ligação de alguém e que eu corria risco de vida”. 

Depois recolheram uma rede da cela sob a alegação de que ele poderia se enforcar, “e fui colocado numa cela separada no comando geral, onde fazia as necessidades em um balde. Fui tratado como um lixo”.

Ele diz ter sido levado para o Ministério Público Federal, sem contato com seus advogados e, lá, teria se encontrado com o secretário de Segurança Pública do Maranhão. “Quando eu cheguei lá, o secretário de segurança pública Jefferson Portela começou a dizer que eu devia colaborar com ele, porque eu era o mais novo que tinha sido preso, que estaria correndo grande risco de perder minha farda e todos os meliantes que eu já prendi poderiam tomar ciência disso e depois atentar contra minha vida”.

Segundo o PM, Fernando Paiva, o secretário de Segurança do Maranhão, Jefferson Portela, o ameaçou para acusar o deputado estadual Raimundo Cutrim em caso de contrabando

Jefferson ainda diz que o chefe da pasta tentou induzi-lo a “falar nomes de pessoas”. “Queria formar um circo, um teatro, para que pudesse inserir as pessoas que estivessem sendo investigadas e algumas que não estivessem para que fossem envolvidas na situação do contrabando”.

– Ele queria o tempo todo que eu dissesse que o delegado Tiago Bardal estivesse dentro do sítio. Ele queria o tempo todo que eu dissesse que o delegado Raimundo Cutrim, que é o atual deputado, tivesse dentro do sítio também. Ele queria que eu falasse. Por ele, eu poderia contar a história mais mirabolante que fosse, mas envolvendo eles, entendeu? O delegado Ney Anderson, que eu não conheço. Eu não conheço o deputado Raimundo Cutrim. Também não conheço o delegado Bardal – relatou.

O Ministério Público Federal garante que a versão do soldado é inverídica. Por meio de sua conta de Facebook, o secretário de Segurança Pública do Maranhão reagiu: “o Soldado Paiva, preso por integrar a Ocrim, agora se diz coagido a delatar seus comparsas. Será processado por mais um crime”.

Diário do Poder

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