A morte de 200 bebês no Maranhão tem nome: Maternidade Carmonisa Coutinho. Deputado Wellington do Curso propõe abertura de CPI

Maternidade da morte tem nome: Carmosina Coutinho
Maternidade da morte tem nome: Carmosina Coutinho

A Record Nacional e seus programas investigativos estacionou aqui no Maranhão e não parou mais. Depois da reportagem de grande repercussão sobre “a estrada da fome”, agora, foi a vez do caso das quase 200 mortes de bebês que nascem mortos, em menos de um ano, na Maternidade Carmosina Coutinho, no município de Caxias, distante mais de 400 km da capital, São Luís e administrada pelo prefeito Léo Coutinho (PSB). A situação do Maranhão, a cada dia que passa, fica mais feia pelo Brasil afora.

É realmente de se indagar vários aspectos, dos quais:

– Por que só agora veio à tona tamanho descaso

– Por que só agora as mães deram o ‘grito’ que estava entalado

– Onde está a prefeitura – se é que existe – que não toma nenhuma providência e se cala perante tamanha atrocidade

– Os profissionais dessa Maternidade são realmente médicos ou amadores

– Por que o governo do estado não se pronuncia à respeito dessas centenas de mortes e de tantas outras que acontecem todos os dias?

É, o que realmente parece é que além de vivermos em uma sociedade tão desumana, de valores invertidos, até a vida está perdendo o seu valor.

Ai eu me pergunto, para quem essas centenas de mães humildes vão recorrer? Se o próprio poder público que é obrigado a cuidar e passar segurança para a população, é o primeiro a se inibir da responsabilidade.

Não sou mãe, mas perder um filho não deve ser tarefa fácil, é como se tivesse que reaprender a viver. Mas, quem deve estar preocupado com a dor do próximo, não é mesmo? Quem vai se preocupar com a causa alheia, afinal, problemas todo mundo tem, não é mesmo?
Por que então, Léo Coutinho se preocuparia com essas pobres mães, afinal, cuidar do cofre da prefeitura deve tomar-lhe todo o tempo, não é mesmo?

Sensibilizado com a situação das famílias que perderam seus filhos ou estão em tratamento – ou não – com eles cegos, em Caxias, o deputado Wellington do Curso (PPS) propôs na Assembleia Legislativa do Maranhão, na manhã de ontem (28), uma investigação, com afinco, dessas mortes de bebês e cogitou a possibilidade da criação de uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito.

Na verdade, foi o próprio deputado que me deixou a par que essa reportagem seria exibida na noite de segunda, 27. Ao me falar sobre o caso, foi notório a tristeza e indignação de Wellington ao relatar o que seria noticiado. Deu para perceber a preocupação do parlamentar com a vida e a dignidade humana. E, ao discursar na tribuna, citou algumas das cenas exibidas na reportagem.

“O Brasil se consternou com a lesão à dignidade humana. Ontem, pela segunda vez, uma emissora de tv levou a todos os lares do Brasil uma denúncia sobre a morte de quase 200 crianças, famílias dizimadas, gerações perdidas e um absurdo de crianças sequeladas pelo resto da vida. Ressalta-se aqui a violação dos direitos que a própria Constituição Federal assegura e lesão aos direitos humanos de todo e qualquer cidadão. O que vimos foi a completa falta de zelo por aquilo que nos faz um Estado Constitucional e é imprescindível que se assegure ao ser humano a dignidade”, pontuou.

Na oportunidade, Wellington propôs que a Comissão de Saúde da Assembleia realizasse visita “in loco” para a coleta dos dados e, assim, tome veracidade dos fatos, além de cogitar a possibilidade de solicitar uma CPI de fiscalização sobre o caso.

“Dei entrada nesta Casa a um requerimento solicitando a visita ‘in loco’ das Comissões de Saúde e Direitos Humanos à cidade de Caxias para coletarmos dados, informações e esclarecimentos sobre esses fatos tão deprimentes. Nós, enquanto parlamentares e cidadãos comprometidos com a dignidade humana, não podemos nos calar diante dessa violação e descaso com os direitos humanos.  De forma ponderada, responsável e profissional, se houver necessidade, solicito a possibilidade desta Casa se pronunciar e a possibilidade de votar a instauração de uma CPI.  Se for necessário, há a possibilidade de deslocamento da competência, conforme preceitua o art.109 (inciso XI, parágrafo 5º) da Constituição Federal que institui  que ‘na hipótese de grave violação dos Direitos Humanos, o Procurador geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Supremo Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. Há, ainda, a possibilidade, caso não se atenue a problemática, de se impor denúncias junto à Comissão Internacional de Direitos Humanos. Mais do que meros posicionamentos críticos, defende-se aqui o bem mais precioso de todo e qualquer ser humano: a vida”, ressaltou.

Assista ao vídeo da reportagem aqui:

2 thoughts on “A morte de 200 bebês no Maranhão tem nome: Maternidade Carmonisa Coutinho. Deputado Wellington do Curso propõe abertura de CPI

  • 30/04/2015 at 00:34
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    Grata pela participação, Juliane.
    Eu também coloquei na matéria esse link. Obrigada, querida!!

  • 29/04/2015 at 19:29
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    Bom dia Blogueiros maranhenses !

    Fomos informados aqui em São Paulo, que por motivos obscuros, nem todos os habitantes da calorosa Caxias do Maranhão tiveram acesso à valiosa reportagem feita por nossa TV Record sobre a Maternidade Carmosina Coutinho. Para tanto, segue link do you tube para conhecimento.

    O acesso à informação, não pode ser negado.

    LEI Nº 12.527, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2011- PR / Casa Civil / Subchefia para Assuntos Jurídicos

    http://www.youtube.com/watch?t=2713&v=w4Gpe5e7KBk

    Juliane Fritz

    Av. Paulista, 1754 – Cerqueira César – SP

Qual é a sua opnião sobre essa matéria?